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Bento XVI: Primeiras Vésperas do Advento
Caro Internauta, como faz a cada ano, o Santo Padre Bento XVI abriu hoje o sagrado Tempo do Advento presidindo às Primeiras Vésperas na Basílica de São Pedro. Abaixo, dois momentos da Celebração e um trechinho das palavras do Santo Padre:

Com esta liturgia vespertina, iniciamos o itinerário de um novo ano litúrgico, entrando no primeiro dos tempos que o compõem: o Advento. Na leitura bíblica que acabamos de ouvir, tirada da Primeira Epístola aos Tessalonicenses, o Apóstolo exorta os cristãos (...) a se conservarem irrepreensíveis “na vinda do Senhor”, quase como que se o advento do Senhor fosse, mais que um ponto futuro do tempo, um lugar espiritual no qual se deve caminhar já no presente, durante a espera, e dentro do qual se é guardado perfeitamente em todas as dimensões pessoais.
Efetivamente, é exatamente isto que nós vivemos na liturgia: celebrando os tempos litúrgicos atualizamos o mistério – neste caso a vinda do Senhor – de tal modo que podemos, por assim dizer, “caminhar nela” em direção à sua plena realização no fim dos tempos, mas bebendo já a virtude santificadora, pois que os últimos tempos já iniciaram com a morte e ressurreição de Cristo.

Escrito por Pe. Henrique às 23h59
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O que veio virá!
Dos Sermões de Santo Agostinho de Hipona, bispo e doutor da Igreja:
O nosso Deus vem manifesto e não se calará (Sl 49,2). Cristo Senhor, nosso Deus, o Filho de Deus, que veio oculto no primeiro advento, virá manifesto no segundo. Quando veio oculto, revelou-se apenas a seus servos; quando vier manifesto, se revelará aos bons e aos maus.
Quando veio oculto, veio para ser julgado; quando vier manifesto, virá para julgar. Quando foi julgado, calou-se, e de seu silêncio havia predito o Profeta: Como um cordeiro foi conduzido ao matadouro; como uma ovelha que permanece muda na presença de seus tosquiadores, ele não abriu a boca (Is 53,7).
Mas o nosso Deus vem manifesto e não se calará. Quando vier para julgar, ele não se calará como quando veio para ser julgado. Desde agora não se cala, se há quem o escute; mas foi dito: não se calará, quando então mesmo os que presentemente o desprezam reconhecerão a sua voz. Agora, quando se declaram os preceitos de Deus, alguns chegam a rir. Como não se mostra ainda o que Deus prometeu, nem se vê o cumprimento de suas ameaças, eles se riem dos seus preceitos. Por ora, com efeito, a felicidade dita deste mundo, também os maus a têm; e a infelicidade dita deste mundo, também os bons a possuem.
Os homens que crêem nas realidades presentes, mas não nas futuras, observam que os bens e os males do mundo atual cabem indistintamente aos bons e aos maus. Se querem riquezas, vêem tanto homens bons como homens péssimos as possuírem. Vêem também, se detestam a pobreza e as misérias deste mundo, que delas sofrem não só os bons, mas também os maus. E dizem em seu coração que Deus não se ocupa das coisas humanas, mas nos deixou completamente abandonados ao acaso, nos confins deste mundo, privados de qualquer providência. Por isso, se instala neles o desprezo pelos preceitos, porque não vêem a manifestação do juízo.
Contudo mesmo agora, todos podem perceber que Deus, quando quer, olha e castiga, sem deixar para depois; porém, quando quer, pacienta. E por quê? Porque se jamais castigasse no presente, não se acreditaria em sua existência; se, por outro lado, condenasse tudo desde agora, nada reservaria para o juízo. Muitas coisas são, pois, reservadas para o juízo, e algumas julgadas no presente, para que temam e se convertam os que têm sua vez adiada. Deus não tem prazer em condenar, mas em salvar; por isso é paciente para com os maus, a fim de torná-los bons. Diz o Apóstolo que a ira de Deus revela-se contra toda impiedade (Rm 1,18) e que Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras (Rm 2, 6).
Na verdade, o Apóstolo admoesta e repreende o desprezador, dizendo: Acaso desprezas as riquezas de sua bondade, de sua tolerância? (Rm 2,4). Porque ele é bom, tolerante e paciente para contigo, poupa-te e não te destrói, não fazes caso, pensando que Deus não julga, desconhecendo que a bondade de Deus te convida à conversão. Por causa de teu endurecimento e de teu coração impenitente, estás acumulando ira para ti mesmo, no dia da ira, quando se revelará o justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras (Rm 2,4-6).

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 23h34
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A antífona que abre o Advento
“A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera” (Sl 24,1-3).
Ah, a Liturgia! Que lições, que intuições, que sentimentos inexprimíveis de tão ricos, ela nos faz experimentar!
As palavras acima, do Salmo 24, são a antífona de entrada (o Intróito) da Missa do primeiro Domingo do Advento. Pare e pense um pouco, antes de continuar a leitura... Tente descobrir sozinho: o que estas palavras têm a ver com o Advento e com o Natal? Por que a Igreja as colocou aí? Pense um pouco... A Liturgia só pode ser saboreada se a gente aprender a pensar com o coração...
Observe bem: o Advento é tempo de preparar a celebração da Vinda do Senhor em Belém e de preparar-se para a Vinda dele na Parusia, na Glória final. Por isso, mesmo a primeira palavra da antífona é fortíssima: “A vós, Senhor, elevo a minha alma!” É o fiel, é a humanidade, que tira o olhar do próprio umbigo, da própria auto-suficiência, e, reconhecendo-se pobre, eleva a alma, a vida ao Senhor, esperando dele a salvação! Já aqui, se coloca a atitude fundamental com a qual devemos viver o Advento: a espera vigilante, como a amada que espera o amado, como a terra que espera o sol, como o vigia que espera a aurora...
Depois a antífona nos joga em cheio no drama da vida: quantos inimigos exteriores e interiores temos, quantas contradições, quantos perigos de cair, de perder o rumo, de fracassar na existência! Somo tão pobres, tão quebrados, tão frágeis... Tão incerto é nosso caminho sobre esta terra de exílio... “Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos!”
Esta consciência da nossa miséria, esta percepção de que temos um coração de água, olhos de águia, mas umas asinhas curtas apenas como as de pardal é a condição essencial para nos descobrirmos pobres diante de Deus e, então, gritar: Senhor, vem salvar-nos! Senhor, precisamos de um Salvador! Sem, sem tua presença, a humanidade se perde, o homem se destrói, seremos sempre frustrados, seres fracassados no mais profundo de sua existência! É isto que esta antífona comovente nos quer fazer compreender e experimentar.
Mas, observe como ela termina com a proclamação de uma certeza certa: “Não será desiludido quem em vós espera”. Não será desiludido quem coloca sua esperança no Senhor, quem vigia esperando o Cristo que vem! Deus é fiel: mandou-nos o seu Cristo e ele estará para sempre em nosso meio! Aquele que sabe reconhecer sua presença e vive na sua verdade, de esperança em esperança, não ficará envergonhado no Dia da sua Manifestação gloriosa. Lições assim, tão profundas, tão saborosas, tão verdadeiras, somente a Liturgia pode nos dar! Quem dera que soubéssemos percebê-las e saboreá-las...
Feliz Advento a todos!

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 23h28
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Pensamentos sobre o Ano Litúrgico
Caro Internauta, estamos iniciando um novo Ano Litúrgico. Que é essa coisa de Ano Litúrgico? É o tempo no qual se celebra os mistérios de Cristo. Deixe-me explicar, pois hoje estou com vontade de fazê-lo...
O nosso Deus não é uma idéia metafísica, uma energia-de-não-sei-o-quê... O nosso Deus é aquele que criou tudo e revelou-se ao Povo de Israel, entrando na sua história e fazendo história com ele: chamou Abraão, fez Moisés tirar Israel do Egito e lhe deu a Torá, educou seu povo pelos profetas e o tempo todo e em tudo foi prometendo e preparando a vinda do Messias, seu Filho e nosso santíssimo Salvador.
Pois bem, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, cumprindo tudo quanto prometera e, no Espírito do Filho morto e ressuscitado, infundiu no coração do fiéis e no coração do mundo sua Vida divina e sua salvação, que se concretizam desde agora na Igreja.
Então, compreendamos: toda a história da salvação caminhava para o Cristo e se condensa, se resume em Cristo: nele tudo se cumpriu, nele tudo chegou à plenitude, ele é a Testemunha das promessas de Deus, é o Amém de Deus para sempre.
Pois bem, tudo isto nós celebramos na sagrada Liturgia: os gestos, as palavras, os símbolos litúrgicos não podem ser inventados, não podem ser criados pelo celebrante ou pela comunidade (isto não seia Liturgia nem seria rito: seria somente um triste e pobre showzinho, seria patética coreografia, água choca que estraga o vinho bom e saboroso do rito litúrgico). Em cada gesto, símbolo e palavra da Liturgia é o próprio Cristo, Sacerdote eterno, que exerce no meio de sua Igreja a obra da salvação. Nunca esqueçamos: a Liturgia, não é primeiramente obra nossa, mas obra de Cristo que, misericordiaosamente, associa a si a sua Igreja. Como isto é possível realmente? É que os gestos litúrgicos são cheios da potência do Espírito do Morto-e-Ressuscitado, que torna presente no nosso aqui e no nosso agora suas ações salvíficas. Na Liturgia nós realmente entramos em contato com o Senhor, Cordeiro imolado e vitorioso, tal como está ante o Trono de Deus; por isso, na Liturgia somos salvos, na Liturgia nós realmente participamos das coisas do céu, na Liturgia nós recebemos a vida divina, na Liturgia nós participamos do culto que os seres celestes já prestam ao Deus uno e trino, na Liturgia nós recebemos aquilo que não podemos produzir: a graça da salvação que Cristo – e só ele – nos mereceu!
Ora, todo este mistério de salvação é celebrado no correr do tempo, pois Deus se revelou e nos salvou entrando no tempo: criou, chamou Israel e, na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho que santificou todos os tempos e já nos introduziu no tempo definitivo, pois encheu o nosso tempo com o seu Espírito Santo, penhor da eternidade que supera os tempos deste mundo.
No Ano Litúrgico a Igreja celebra sempre e em todo lugar a mesma coisa: o Cristo morto e ressuscitado que nos salvou. Em cada sacrifício da Missa (nunca esqueça que a Missa é um sacrifício, o sacrifício de Cristo em forma de banquete) o próprio Cordeiro imolado e ressuscitado coloca-se nas mãos de sua Esposa, a Igreja, para que ela o ofereça ao Pai num Espírito eterno. Assim, nós prestamos ao Pai, pelo Filho no Espírito o culto perfeito, santo, completo e totalmente eficaz para a nossa salvação, porque é o culto do próprio Cristo, Sumo e eterno Sacerdote.
Mas, como nós vivemos no tempo e tempo é seqüência, é duração, esse Mistério salvífico de Cristo é celebrado na Liturgia de modo extenso, como se alguém tomasse um papel dobradinho feito sanfona e o fosse desdobrando, esticando. Assim é na Liturgia: na Páscoa de Cristo toda a história da salvação está presente, está concentrada – e a Missa é a celebração da Páscoa do Senhor; no entanto, durante o Ano Litúrgico vamos desdobrando este mistério pascal em toda a sua riqueza: o Tempo do Advento, que nos faz celebrar a espera da Israel e da humanidade pela Salvação que enche a vida de sentido e nos livra da morte; o Tempo do Natal, que nos coloca no próprio coração da Encarnação do Verbo e nos dá verdadeiramente a graça da sua Vinda; o Tempo da Quaresma, que nos faz entrar na experiência de Israel no deserto e nos purifica realmente para celebrar a santa Páscoa; o Tempo Pascal, que nos dá a graça de mergulhar com toda a intensidade e verdade na oferta que Cristo fez de si, na sua gloriosa vitória sobre a morte e no dom do Espírito que ele concedeu à sua Igreja e se faz presente nos santos sacramentos; o Tempo Comum, que coloca o nosso dia-a-dia no coração do Sacrifício de Cristo e coloca o Sacrifico pascal de Cristo no nosso dia-a-dia, enchendo nossos tempos pequenos com a eternidade de Cristo.
Além disso, durante o Ano Litúrgico celebramos as solenidades, festas e memórias dos Santos – a começar pela Toda Santa Sempre Virgem Maria -, que são imagens vivas da glória de Cristo, que é admirável nos seus Santos e neles mostrou todo o poder e eficácia da sua vitória pascal sobre o Diabo e sobre o pecado. Cada santo é o mistério pascal de Cristo celebrado na vida dos seus fiéis, é a Liturgia celebrada no Altar que foi prolongada e efetivada na vida; cada santo é o Evangelho explicado e a Eucaristia vivenciada! Por isso, o melhor lugar para recordar os santos de Cristo é no Sacrifício eucarístico.
Eis, portanto! Hoje começamos mais um Ano Litúrgico: Deus coloca a sua luz nas nossas trevas, a sua graça nas nossas misérias, a sua vida nas nossas mortes. Vivamos intensamente este tempo santo, pois todo Ano Litúrgico é tempo de salvação. Não participemos das santas celebrações com um coração preso às coisas do mundo, não participemos dispersos e desatentos, sem unção e sem devoção. Cansados ou restaurados, serenos ou agitados, tristes ou alegres, fervorosos ou frios, participemos sempre com fé, com sereno e profundo respeito das celebrações litúrgicas, como Moisés, que tirou as sandálias dos pés pela santidade do lugar da sarça. Nunca brinquemos com a Liturgia, nunca tenhamos uma atitude de quem está na própria casa (a igreja não é nossa casa; é Casa de Deus e ali somos hóspedes feitos filhos). Se assim procedermos, iremos aprendendo a saborear os sagrados ritos e nossa existência neste mundo será inundada pela presença de Deus. Que assim seja. Amém!

Categoria: Teologia
Escrito por Pe. Henrique às 23h01
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Sandices de um ancião estulto...
Caro Internauta, muita idade não é sinal de sabedoria e fama ou Prêmio Nobel não é sinal de lucidez. Abaixo umas palavras sobre José Saramago, velho escritor português, comunista ateu, anti-católico e tolo...
Ao ser questionado se a doença mudou a sua percepção de Deus, o escritor José Saramago, 86, que participa da sabatina da Folha hoje, perguntou "por que mudaria?", acrescentando que foram os médicos e a sua mulher que o salvaram.
"Por que precisamos de Deus? Nós o vimos? A Bíblia demorou 2000 anos para ser escrita e foi redigida por homens", declarou.
Ainda disse que a Bíblia é um "desastre", cheia de "maus conselhos, como incestos, matanças".
Saramago também afirmou que foi o homem quem inventou Deus, o Diabo e o purgatório, que "hoje está desqualificado". Ele ainda voltou a criticar a Igreja, afirmando que ela inventou o pecado para controlar o corpo humano. "O sonho da Igreja é transformar todos em eunucos, quer dizer, os homens, porque as mulheres não podem ser eunucas".
 José Saramago: um tolo dizedor de tolices. Um dia verá que Deus existe.
Observação minha: É incrível como um homem idoso pode ainda ser tão tolo e dizer tantas bobagens. Que fazer? O Senhor, que ele “verá” que existe, tenha misericórdia de sua mente obtusa e de sua alma turva pelas trevas da descreça e do ódio! Amém.
Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 22h30
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O Verbo de Deus, visitante discreto e operante
Dos Sermões sobre o Cântico dos Cânticos de São Bernardo (1091-1153), abade cisterciense e doutor da Igreja:
«É Nele, realmente, que vivemos, nos movemos e existimos» (At 17,28). Feliz daquele que vive por Ele, que é movido por Ele, em quem Ele é a existência. Perguntar-me-eis: se não se conseguem descobrir os sinais da Sua vinda, como foi que eu soube que Ele estava presente? É que Ele é vivo e eficaz (Hb 4,12); mal entrou em mim, despertou a minha alma adormecida. Vivificou-me, enterneceu-me e animou-me o coração, que estava adormecido e duro como uma pedra (Ez 36, 26).
Começou por arrancar e sachar, construir e plantar, regar a minha secura, dar luz às minhas trevas, abrir aquilo que estava fechado, inflamar a minha frieza, e também aplainar os cumes e nivelar os terrenos escarpados (Is 40,4) da minha alma, para que ela pudesse dizer: «Bendiz, ó minha alma, o Senhor, e toda a minha vida interior o Seu santo nome» (Sl 102,1).
O Verbo esposo veio a mim mais do que uma vez, mas sem dar sinais da Sua irrupção. Foi pelo movimento do meu coração que me apercebi de que Ele ali estava. Reconheci a Sua força e o Seu poder, porque senti apaziguarem-se-me as más tendências e as paixões. A discussão e a acusação aos meus sentimentos obscuros levou-me a admirar a profundidade da Sua sabedoria. Experimentei a Sua doçura e a Sua bondade pelo veloz progresso da minha vida. E, vendo renovar-se-me o homem interior (2Cor 4,16), o meu espírito no mais fundo de mim mesmo, descobri um pouco da Sua beleza. Contemplando por fim tudo isto, estremeci diante da imensidão da Sua grandeza.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 17h26
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Leituras para o I Domingo do Advento - Ano B
Leitura do Livro do profeta Isaías (Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7)
16bSenhor, tu és nosso Pai, nosso redentor; eterno é o teu nome. 17Como nos deixaste andar longe de teus caminhos e endureceste nossos corações para não termos o teu temor? Por amor de teus servos, das tribos de tua herança, volta atrás. 19bAh! se rompesses os céus e descesses! As montanhas se desmanchariam diante de ti.
64,2bDesceste, pois, e as montanhas se derreteram diante de ti. 3Nunca se ouviu dizer nem chegou aos ouvidos de ninguém, jamais olhos viram que um Deus, exceto tu, tenha feito tanto pelos que nele esperam.
4Vens ao encontro de quem pratica a justiça com alegria, de quem se lembra de ti em teus caminhos. Tu te irritaste, porque nós pecamos; é nos caminhos de outrora que seremos salvos.
5Todos nós nos tornamos imundície, e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos todos como folhas, e nossas maldades empurram-nos como o vento.
6Não há quem invoque teu nome, quem se levante para encontrar-se contigo; escondeste de nós tua face e nos entregaste à mercê da nossa maldade.
7Assim mesmo, Senhor, tu és nosso pai, nós somos barro; tu, nosso oleiro, e nós todos, obra de tuas mãos.
Salmo Responsorial (Sl 79)
Iluminai a vossa face sobre nós;
convertei-nos, para que sejamos salvos!
Ó Pastor de Israel, prestai ouvidos.
Vós, que sobre os querubins vos assentais,
aparecei cheio de glória e esplendor!
Despertai vosso poder, ó nosso Deus,
e vinde logo nos trazer a salvação!
Voltai-vos para nós, Deus do universo!
Olhai dos altos céus e observai.
Visitai a vossa vinha e protegei-a!
Foi vossa mão direita que a plantou;
protegei-a, e ao rebento que firmastes!
Pousai a mão por sobre o vosso protegido,
o filho do homem que escolhestes para vós!
E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!
Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 1,3-9)
Irmãos: 3Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
4Dou graças a Deus sempre a vosso respeito, por causa da graça que Deus vos concedeu em Cristo Jesus: 5Nele fostes enriquecidos em tudo, em toda palavra e em todo conhecimento, 6à medida que o testemunho sobre Cristo se confirmou entre vós.
7Assim, não tendes falta de nenhum dom, vós que aguardais a revelação do Senhor nosso, Jesus Cristo.
8É ele também que vos dará perseverança em vosso procedimento irrepreensível, até o fim, até o dia de nosso Senhor, Jesus Cristo.
9Deus é fiel; por ele fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso.
Aleluia, aleluia, aleluia! (Sl 84,8)
Mostri-nos, ó Senhor, vossa bondade,
ea vossa salvação nos concedei!
Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (Mc 13,33-37)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 33Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. 34É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.
35Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. 36Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. 37O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”
Escrito por Pe. Henrique às 17h19
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Estudo bíblico-catequético para o I Domingo do Advento - Ano B
1. Com o Primeiro Domingo do Advento inicia-se um novo Ano Litúrgico, aquele arco de tempo no qual a Igreja celebra e torna presente na Liturgia todo o mistério de Cristo, da Encarnação à sua Vinda gloriosa.
è O centro do Ano é o Domingo, dia em que os cristãos celebram a Ressurreição do Senhor. Durante o ano, em dias estabelecidos, celebra-se também a vitória de Cristo na Bem-aventurada Virgem Maria e nos santos que foram conformados a Cristo nesta vida e já estão com ele na glória.
è Eis os tempos do Ano Litúrgico: Advento (preparação para o Natal), Natal (celebração da manifestação do Senhor na nossa humanidade), Quaresma (preparação para a Páscoa), Páscoa (celebração anual e solene da paixão, morte e ressurreição do Senhor), Tempo Comum (período ordinário no qual se celebra dia após dia a presença viva do senhor em nosso meio).
2. A palavra “advento” significa “vinda”, “chegada”.
è O Advento é composto por quatro semanas nas quais a Igreja prepara a celebração da Vinda do Senhor.
è As duas primeiras semanas se concentram naquela Vinda no final dos tempos, já pregustada na Liturgia. A partir do dia 17 de dezembro, a atenção detém-se na Vinda do Senhor na nossa humana natureza, no mistério do Natal.
è «Eis a voz do meu Amado! Ele vem correndo pelos montes... Meu Amado é meu e eu sou dele!» Estas palavras da esposa do Cântico dos Cânticos exprimem o sentimento da Igreja: É o Filho eterno que vem, desposando nossa humanidade no mistério da Encarnação. «Porque Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único» (Jo 3,16) para ser o Esposo da humanidade, o Salvador do mundo.
è «Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do seu Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos» (1,1-2). Deus já não nos manda um mensageiro, um intermediário, um presente... Ele vem pessoalmente no seu Filho, vem ele mesmo ser o Emanuel, o Deus-conosco! Por isso o homem pode ter a certeza que não mais está só, não mais pode se sentir desamparado, esquecido, perdido... apesar de tanta dor e sofrimento ainda existentes no nosso mundo!
3. Os sentimentos que nos devem orientar nas quatro semanas do Advento são:
è A vigilância na fé, na oração, na busca de reconhecer o Cristo que vem nos íntimos apelos no nosso coração, nos acontecimentos e nos irmãos.
è A conversão, procurando abrir-nos de verdade ao Senhor e consertar nossos caminhos, andando nas estradas do Senhor, para seguir a Jesus rumo ao Reino do Pai.
è O testemunho da alegria que Jesus nos traz, através de uma fé firme e convicta, de uma caridade paciente e carinhosa, de uma esperança viva, firmada na total confiança na fidelidade de Deus.
è A pobreza interior, de um coração disponível para Deus, como Maria, José, João Batista, Zacarias, Isabel.
è A alegria, na feliz expectativa do Cristo que vem e na invencível certeza de que ele não falhará. Mais que o vigia esperando pela aurora, a Igreja espera o seu Senhor.
4. Na celebração da Eucaristia têm-se os seguinte sinais:
è a cor roxa, recordando a sobriedade de quem vigia e espera ansioso (o rosa antigo usado no terceiro domingo é um roxo mitigado, sinal da alegria pelo Senhor já próximo);
è as flores na Igreja são usadas com moderação, também como sinal de expectativa;
è não se canta o «Glória» na Missa, na expectativa feliz de cantá-lo na Noite Santa do Natal do Senhor.
5. A profecia de Isaías, na primeira leitura de hoje, é uma comovente oração que dá bem o tom da história de Israel com o seu Deus:
è Israel confessa o amor do seu Deus (vv. 16.3.4.7)
è Confessa sua culpa, seu amor e sua esperança no Senhor (vv. 17. 5.6)
è Reconhece-se pobre e disperso (vv. 5.7)
è Súplica que Deus lhe mande a Salvação (v. 19)
è E, com toda confiança, já proclama: “Tu desceste!” (v. 2).
è Estes devem ser também os nossos sentimentos: sem Deus caminhamos dispersos e somos como roupa suja. Devemos suplicar sempre: “Vem, Senhor! Vem do alto céu trazer-no salvação!”
6. Na segunda leitura, São Paulo nos saúda, recordando que já vivemos na graça e na paz do Pai que Cristo nos trouxe. E afirma:
è Em Cristo nós já temos a riqueza da Palavra e do conhecimento verdadeiro do verdadeiro Deus (v.5).
è Vivemos neste mundo aguardando a revelação final de nosso Senhor Jesus Cristo (v.7)
è Devemos viver em santidade, preparando-nos para esse Dia do Senhor, que é fiel e nos dará a comunhão plena com ele no céu (vv. 8-9).
7. O Evangelho, na mesma linha da segunda leitura, exorta:
è A Vinda gloriosa do Cristo será num momento inesperado.
è Cristo partiu como um dono de casa, mas voltará e quer nos encontrar vigilantes.
è A advertência é claríssima: “Vigiai!”
Escrito por Pe. Henrique às 17h17
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A alegria pelo Senhor que vem
Do Comentário ao Salmo 95, de Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona e doutor da Igreja:
"Então, todas as árvores da floresta saltarão de alegria diante do Senhor, porque Ele vem para julgar a terra" (Sl 95,12-13). O Senhor veio uma primeira vez e virá de novo. Veio uma primeira vez "sobre as nuvens" (Mt 26,64) na sua Igreja. Que nuvens o trouxeram? Os apóstolos, os pregadores... Veio uma primeira vez trazido pelos seus pregadores e encheu toda a terra. Não ponhamos resistência à sua primeira vinda se não queremos temer a segunda...
Que deve, pois, fazer o cristão? Aproveitar este mundo, mas não o servir. Em que consiste isso? "Possuir como se não se possuísse". É o que diz S. Paulo: "Irmãos, o tempo é breve... Desde já, aqueles que choram seja como se não chorassem, os que são felizes, como se o não fossem, os que compram, como se nada possuíssem, os que tiram proveito deste mundo, como se não se aproveitassem dele. Porque este mundo, tal como o vemos, vai passar. Quereria ver-vos livres de toda a preocupação" (1Co 7,29-32). Quem está livre de toda a preocupação espera com segurança a vinda do seu Senhor. Será que se ama o Senhor quando se receia a sua vinda? Meus irmãos, não nos envergonhamos disso? Amamo-lo e receamos a sua vinda? Amamo-lo verdadeiramente ou amamos mais os nossos pecados? Odiemos então os nossos pecados e amemos Aquele que há-de vir...
"Todas as árvores da floresta rejubilarão à vista do Senhor", porque Ele veio uma primeira vez... Veio uma primeira vez e regressará para julgar a terra; então encontrará cheios de alegria os que tiverem acreditado na sua primeira vinda.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 23h17
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Somos o seu Templo
Do Comentário ao Evangelho de João, de Orígenes (185-253), sacerdote e teólogo:
«Jesus diz aos judeus: ‘Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei’. Ele falava do templo que é o seu corpo» (Jo 2,21) Alguns pensam que é impossível aplicar ao corpo de Cristo tudo o que é dito acerca do Templo; pensam que se chamou templo ao seu corpo porque, tal como o primeiro Templo tinha sido habitado pela glória de Deus, também o Primogênito de todas as criaturas é a imagem e a glória de Deus (Cl 1,15), e que é justo, portanto, que o seu Corpo, a Igreja, seja chamado templo de Deus, porque contém a imagem da divindade. Aprendemos com Pedro que a Igreja é o corpo e a casa de Deus, construída com pedras vivas, uma casa espiritual em função de um sacerdote santo (1Pd 2,5).
Possamos então considerar Salomão, o filho de Davi, que construiu o Templo, como uma prefiguração de Cristo: foi depois da guerra, numa altura de grande paz, que Salomão construiu um Tempo à glória de Deus na Jerusalém terrestre. De fato, quando todos os inimigos de Cristo estiverem «colocados debaixo dos seu pés», e de a morte, «o último inimigo», ter sido destruído (1Cor 15,25-26), então a paz será perfeita, então Cristo será «Salomão», cujo nome significa «pacífico»; n'Ele se cumprirá esta profecia: «vivo entre aqueles que odeiam a paz, [mas] lhes falo de paz» (Sl 119,6-7).
Então cada uma das pedras vivas, segundo o mérito da sua vida presente, será uma pedra do templo: um, apóstolo ou profeta, que ficará nas fundações, levará consigo as pedras que ficarão por cima; um outro, vindo a seguir àqueles que ficam nas fundações, ele próprio conduzido pelos profetas, levará por sua vez consigo outras pedras mais leves; um terceiro será uma pedra que ficará mesmo no interior, onde se situa a arca com os querubins e o propiciatório (1Rs 6,19); um quarto será a pedra do vestíbulo (v.3), e um quinto, ainda, fora do vestíbulo dos padres e dos levitas, será a pedra do altar onde são feitas as oferendas das colheitas. O desenvolvimento da construção, com a organização dos ministérios, será confiado aos anjos de Deus, essas forças santas prefiguradas nos mestres de obras de Salomão.
Tudo isto se cumprirá quando a paz for perfeita, quando reinar uma grande paz.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 16h30
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Pobre neste mundo; rica para a eternidade
Das Cartas de São Paulino de Nola (355-431), bispo:
Lembremo-nos daquela viúva que, preocupada com os pobres, de si mesma se esqueceu a ponto de dar tudo o que lhe restava para viver, pensando na única vida que havia de vir, como o atesta o próprio Senhor.
Os outros tinham dado o que lhes era supérfluo, mas ela, talvez mais pobre que muitos pobres – pois a sua fortuna estava reduzida a duas simples moedas -, era mais rica, em seu coração, que todos os ricos. Ela só olhava para as riquezas da recompensa eterna; desejosa dos tesouros celestes, renunciou a tudo o que possuía, bem como aos bens que vêm da terra e a ela retornam (Gn 3,19). Deu o que tinha para possuir o que não via. Deu os seus bens perecíveis para adquirir bens imortais.
Esta pobrezinha não esqueceu os meios previstos e dispostos pelo Senhor para obter a recompensa futura. Por isso o Senhor, Juiz do mundo, não se esqueceu dela, pronunciando logo a sua sentença: faz o elogio daquela que vai coroar no dia do julgamento.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 10h59
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A mim o fizestes...
Das Homilias sobre a Carta aos Romanos, de S. João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja:
Deus não chegou ao ponto de entregar seu Filho? E tu não podes sequer dar do teu pão, a quem se entregou e morreu por ti? O Pai, por tua causa, não quis poupar seu verdadeiro Filho! E tu o deixas, com indiferença, morrer de fome, quando não farias mais que dar-lhe dos seus próprios bens, e para teu próprio lucro.
Ele se entregou por ti, por ti deixou-se matar, e por ti sai agora mendigando: o que lhe dás, para ajudá-lo, de seus próprios bens o tiras, e mesmo assim, não lhe dás nada! Pois não se satisfez somente em suportar a cruz e a morte; quis ainda conhecer o exílio, ser peregrino e nu, ser lançado na prisão e nada poder, para assim lançar-te o apelo: “Se tu me queres retribuir o mesmo que sofri por ti, tem piedade de mim por causa da minha miséria, deixa-te comover por minha enfermidade e prisão. Se não me queres pagar na mesma moeda, atende ao meu modesto pedido: eu não te peço nada que te custe; somente um pão, um teto e algumas palavras de conforto.
Se continuas insensível, que ao menos o pensamento do reino celeste e das recompensas prometidas te tornem melhor! Não queres levar em conta tudo isso? Então, que o teu coração ao menos se comova, por simples instinto natural, ao ver-me nu. Lembra-te da nudez que eu sofri na cruz por causa de ti. Por tua causa fui então algemado, e ainda o sou até hoje por tua causa. Por tua causa jejuei, e por tua causa ainda hoje passo fome. Senti sede quando estive suspenso na cruz, e continuo a senti-la nos pobres, a fim de atrair-te a mim e de tornar-te mais humano para tua própria salvação.
Assim, tendo-te obrigado por inumeráveis benefícios, peço-te agora que retribuas; não te peço, porém, como a um devedor, mas quero coroar-te como a um benfeitor e dar-te em troca desses pobres dons, o Reino.
Se estou na prisão, não te forço a me retirares de lá, quebrando minhas algemas. Só te peço uma coisa: veres que estou preso por ti; isto para mim será o bastante, em troca eu te darei o céu. Ainda que eu te tenha libertado de teus pesados grilhões, será bastante para mim que tu queiras visitar-me na prisão.
Eu poderia coroar-te sem tudo isto, mas quero ser teu devedor. Eis por que, podendo dispor de alimento, ponho-me a vagar como um mendigo e coloco-me à tua porta de mão estendida para ser alimentado por ti: eu te amo tanto! É por isto que eu desejo estar à tua mesa como entre amigos, e disso me glorio, e o proclamo diante do mundo, e a todo o universo me apresento como alguém a quem dás de comer.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 01h12
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Palavras católicas do Primaz anglicano...
Caro Internauta, como já havia anunciado neste blog, o Arcebispo de Cantuária, Primaz Anglicano, Rowan Williams, guiou uma peregrinação de anglicanos até Lourdes em 24 de setembro passado. Abaixo vai a homilia pronunciada pelo Arcebispo. Sublinhei alguns trechos que, surpreendentemente, não condizem com a doutrina protestante, à qual pertence a comunidade anglicana. Fico contentíssimo de ver um arcebispo protestante pregar o Evangelho em consonância com a fé católica, recebida dos Apóstolos. Mas, uma coisa me preocupa: devemos ter cuidado para que a boa vontade ecumênica não degenere em irenismo e relativismo. Devemos ser fiéis à verdade de Cristo e à nossa consciência para podermos dialogar com franqueza e sinceridade e, assim, chegar àquela unidade que Cristo desejou para seus discípulos. As palavras do Arcebispo anglicano foram belas... mas refletem a fé anglicana? Eis a questão... Segue a homilia do Arcebispo de Cantuária:
“A criança pulou de alegria no meu ventre” (Lc 1, 44). Maria visita Isabel, trazendo Jesus em seu ventre. O Filho de Deus é ainda invisível, não nasceu ainda, nem é conhecido por Isabel. Todavia, Isabel reconhece Maria como aquela que traz, dentro de si, a esperança e o desejo de todas as nações, e a vida se agita nas profundezas de seu corpo. Aquele que preparará o caminho para Jesus, João Batista, se mexe como que para saudar a esperança que está para se realizar, embora ainda não seja visível.
Maria surge diante de nós, aqui, como a primeira missionária, “o primeiro arauto do Evangelho”, como a definiu o bispo de Lourdes, Perrier: o primeiro ser humano a transmitir a um outro a boa nova de Jesus Cristo. E o faz simplesmente carregando Cristo dentro de si. Ela nos lembra que a missão não começa com a transmissão de uma mensagem por meio de palavras, mas indo ao encontro do próximo com Jesus no coração. Maria testemunha a importância primordial de simplesmente carregar Jesus, antes ainda das palavras ou dos atos que possam mostrá-lo e explicá-lo. O relato da visita de Maria a Isabel é, em certo sentido, muito estranho. Não se trata da comunicação de uma informação racional por parte de alguém que fala a um outro, mas de uma corrente original de eletricidade espiritual, que flui de Cristo, não ainda nascido, para João Batista, também não ainda nascido. Todavia, trata-se sem dúvida de missão, pois evoca o reconhecimento e a alegria. Acontece alguma coisa que prepara o caminho para todas as palavras que serão ditas e para todos os gestos que serão realizados. A pessoa que crê vem, com Cristo, a habitar nesses gestos e palavras, mediante a fé, e Deus faz que essa corrente reviva. Começa uma resposta, não já com palavras ou atividade, mas simplesmente com o reconhecimento de que ali está a vida.
Quando Maria apareceu a Bernadete, o fez, no início, como uma figura anônima, uma bela senhora, uma “coisa” misteriosa, não ainda identificada como a Mãe Imaculada do Senhor. Bernadete, sem nenhuma instrução, ignorante em termos de catequese, pulou de alegria, reconhecendo que ali estava a vida, que ali estava a cura. Recordemos as narrativas que falam de seus movimentos graciosos e elegantes diante dos sinais da Senhora. É como se Bernadete, igual a João no ventre de Isabel, tivesse começado a dançar seguindo a música do Verbo Encarnado trazido pela Mãe. Só aos poucos Bernadete encontra as palavras com as quais comunicar aquilo ao mundo. Só aos poucos, poderíamos dizer, descobre como ouvir a Senhora e repetir o que ela tem a nos dizer.
Existe, portanto, uma boa nova para aqueles entre nós que buscam seguir o convite de Jesus à missão em seu nome, e existe uma boa nova também para todos os que consideram seus esforços vacilantes e aparentemente inúteis, e para todos aqueles que ainda não encontram o caminho que leva a palavras “adequadas” e a um empenho explícito. Nossa primeira e precípua tarefa é trazer Jesus conosco, com gratidão e fidelidade, em tudo o que fazemos. Como Santa Teresa de Ávila, poderíamos fazer isso simplesmente tendo sempre conosco uma pequena imagem ou uma cruz no bolso, para estarmos constantemente “em contato” com o Senhor. Poderíamos fazê-lo, guiados pela tradição espiritual ortodoxa, rezando em silêncio a oração a Jesus: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, que sou pecador”. E, se formos fiéis nesse trazer Cristo conosco, alguma coisa acontecerá, fluirá uma corrente, e aqueles com os quais estamos perceberão, talvez bem além do nível consciente, um movimento de vida e de alegria que podem até não compreender por completo. Nós mesmos poderemos até nunca ver ou saber disso. Os outros poderão até não ligar essa percepção a nós, mas ela existirá, pois Jesus fala sempre àquilo que está enterrado no mais fundo do coração dos homens e das mulheres, ao destino para o qual foram feitos. Quer o saibam, quer não, neles há alguma coisa que está voltado para Cristo. Continuemos a trazer Jesus conosco e não percamos a esperança: a missão se realizará, apesar de tudo, porque Deus, em Cristo, começou sua viagem para dentro do coração.
E quando encontrarmos aqueles que dizem que gostariam de acreditar, mas não podem, aqueles que se perguntam de que modo encontrarão seu caminho para um empenho que parece tão temível quanto difícil de cumprir, também a estes poderemos dizer: “Não se entregue! Tente e se apegue aos momentos de alegria profunda e misteriosa! Espere pacientemente que algo possa nascer em você”. Não é certamente próprio de pessoas cristãs enganar, ser prepotentes ou obrigar as pessoas a assumirem compromissos que não estão prontas a honrar. Todavia, podemos e deveríamos procurar estar presentes, trazendo Jesus conosco, deixando que sua alegria se difunda, e esperando o pulo de reconhecimento no coração de alguém.
Decerto, e freqüentemente, somos nós mesmos, também, os primeiros a precisar ouvir a boa nova. Precisamos ser cercados por pessoas que carregam Jesus, pois todos nós, que nos definimos crentes, temos os nossos momentos de confusão e de desnorteamento. Os outros nos voltam as costas ou nos ferem. A própria Igreja pode parecer confusa, fraca ou até pouco amorosa, e não nos sentimos nem alimentados suficientemente nem guiados como deveríamos. Todavia, esse relato de Maria e Isabel nos diz que o Verbo Encarnado de Deus já está sempre vindo ao nosso encontro, escondido em vozes, rostos, corpos familiares ou desconhecidos. Silenciosamente, Jesus está sempre agindo, e procura aflorar aquilo que há de mais profundo em nós, tocar o coração de nossa alegria e de nossa esperança.
Talvez, quando nos sentimos perdidos e desiludidos, Jesus esteja gentilmente nos afastando de uma alegria ou de uma esperança que são apenas humanas, limitadas ao que somos capazes de fazer ou ao que pensamos superficialmente querer. Talvez seja parte de um caminho para a verdade d’Ele, não apenas a nossa. Nós também precisamos buscar e estar à escuta de momentos em que “reconheçamos” e “pulemos de alegria” no mais íntimo de nós. Pode acontecer quando encontramos uma pessoa na qual percebemos que as palavras que ela diz sobre Deus, que nós pronunciamos de um modo quase indiferente, são nela uma realidade viva e presente (é por isso que são tão importantes as vidas dos santos, antigos e modernos). Pode acontecer quando um momento de paz ou de surpresa nos sobrevém de repente, bem no meio de uma liturgia que nos é familiar e que pensamos conhecer muito bem, e por um instante temos a sensação de que aquela é a explicação de tudo, embora não o consigamos exprimir. Pode acontecer quando nos encontramos num lugar sagrado, cheio das esperanças e das orações de milhões de pessoas, e, repentinamente, compreendemos que seja o que for que pensemos ou sintamos enquanto indivíduos, uma grande realidade se move ao nosso redor, debaixo e dentro de nós, quer a reconheçamos, quer não. São os nossos “momentos Isabel”, quando a vida se move por dentro, mensageira de um futuro com Cristo, mesmo que ainda não o consigamos compreender.
Podemos ser tentados a pensar na missão como algo que deve ser realizado da mesma forma como fazemos, ou tentamos fazer, muitas outras coisas, levando tudo a depender de planejamentos e avaliações a respeito de formas de ação e resultados obtidos. Podemos ser tentados a pensar em toda a vida da Igreja nesses termos. É claro que devemos utilizar nossa inteligência, saber reconhecer a diferença entre resultados positivos e negativos, recorrer a toda a habilidade e a todo o entusiasmo de que dispomos quando respondemos a Deus, que nos chama a compartilhar sua obra transformadora do mundo mediante Jesus e seu Espírito. Todavia, a missão de Maria nos diz que existe sempre uma dimensão mais profunda, arraigada em Cristo, que age neste momento, desconhecido e silencioso, uma dimensão que alcança o coração escondido no mais profundo de cada pessoa e estabelece um contato com ela. Viver com fidelidade ao coração da própria Igreja, em meio a seus desastres, a suas traições e a suas confusões, dando-nos mesmo assim sem reservas: disso depende tudo o que definimos como “nossa” missão. E, se formos sábios, saberemos que estamos sempre prestes a ser surpreendidos pelos ecos e pelas conexões que aparecem onde menos esperamos.
A verdadeira missão está pronta a deixar-se surpreender por Deus, “surpreender pela alegria”, segundo a deliciosa expressão de C. S. Lewis. Isabel conhecia toda a história de Israel, sabia de que modo essa história vinha preparando o caminho para Deus, que vinha visitar seu povo; no entanto, foi surpreendida, dentro de uma novidade de vida e de inteligência, quando o menino pulou em seu ventre. Os vizinhos, os professores, o clero da paróquia de Bernadete sabiam tudo o que consideravam necessário saber sobre a Mãe de Deus; no entanto, precisaram ser surpreendidos por essa garotinha incapaz de se exprimir, indefesa e insignificante, que havia pulado de alegria reconhecendo ter encontrado Maria, como mãe e irmã, portadora de seu Senhor e Redentor.
Renovados e surpresos neste lugar santo, nossa oração aqui deve ser um pedido de que nos seja dada a força envolvente do Espírito, para que levemos Jesus conosco por onde quer que vamos, na esperança de que a alegria pule de coração em coração em todos os nossos encontros humanos. E que nos seja dada, além disso, a coragem para buscar e abrir os ouvidos a essa alegria que vive no mais profundo de nós mesmos, quando a clareza da Boa Nova nos parecer distante e o céu estiver ofuscado por nuvens.
Mas hoje, aqui, ao lado de Isabel e Bernadete, digamos com surpresa cheia de gratidão: “O que eu fiz para merecer que a mãe de meu Senhor venha a mim?”. E percebamos que o anseio de nosso coração é aplacado, e o íntimo de nosso ser despertado para uma nova vida.
 O Primaz anglicano e seus fiéis: aos pés de Maria!
Escrito por Pe. Henrique às 00h41
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A gata escondida com o rabo de fora
Lá vou eu, com minhas análises. Escutei uma entrevista de Ministra Dilma Rousseff, a candidata do Presidente Lula para sucedê-lo na presidência do Brasil. Ela não disse que era candidata, mas afirmou o tempo todo. Só que com a argumentação mais tola que se poderia esperar. Eis o brilhante raciocínio: O século XXI é o século das mulheres e dos negros. Eles estão provando que não são inferiores e podem ocupar qualquer posição...
Que argumentação! Espero que a Ministra Dilma nunca seja Presidente da República – não porque é mulher, mas pelo tipo de raciocínio que engendra: ou é boba ou se faz de boba ou pensa que pode nos fazer de bobos! Nenhuma das possibilidades crendencia a nobre petista para a presidência da nossa República...
 Dilma: a "brilhante"
Essa bobagem de século de mulher e século dos negros é pura conversa mole. Há muito tempo que as mulheres estão na política e ninguém mais vota ou deixa de votar em alguém por ser homem ou mulher. Vota-se por outros critérios. Quantas governadoras já tivemos (e no Nordeste machista mais que em qualquer outra região)... Mulheres chefes de governo e de estado já tivemos no Canadá, na Inglaterra, na Islândia, na Dinamarca, no Chile, na Argentina... Portanto, é conversa mole, essa de que o século XXI é o século das mulheres.
 Colin Powell: um negro realmente brilhante e sem demagogias...
Bobagem também querer pegar carona na eleição de Barack Obama para falar em século dos negros. Não se votou em Obama porque ele é negro, mas porque os americanos julgaram-no o melhor. E só. Essa bobagem de que a esperança venceu o medo é mito da turma do Lula, querendo comparar o novo presidente dos EUA com o velho presidente brasileiro. Nada a ver um com o outro! Obama tem dado provas de ser inteligente, realista e nada deslumbrado... Quanto aos negros nos EUA, basta lembrar dos dois últimos Secretários de Estado estadunidenses: o General Colin Powell, negrinho da silva e Condolezza Rice, negra e mulher...
A Ministra Dilma, para respeitar a inteligência da média dos brasileiros, deveria simplesmente ter dito: Estou doidinha para ser a sucessora do Lula, simplesmente porque sou Dilma e quero ser a chefona. Seria mais honesto e mais respeitoso para com o povo...
 Condolezza: mulher, negra, solteira, fortíssima. Sem apelações nem demagogias...
Vamos ver muitas dessas coisas até as eleições. Preparemo-nos...
Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 22h39
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Rei verdadeiro, Rei diferente...
Da obra “A Vida em Jesus Cristo” de São Nicolau Cabasilas (1320-1363), teólogo leigo da Igreja Ortodoxa grega:
«Depois de haver completado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da majestade divina nas alturas» (Hb 1,3). Foi, pois, para nos servir que Ele veio de junto de Seu Pai a este mundo. E o cúmulo é que não é apenas no momento em que aparece nesta terra, revestido da enfermidade humana, que Se apresenta sob a forma de escravo, escondendo a Sua qualidade de senhor; será também mais tarde, no Dia em que vier com todo o Seu poder e aparecer em toda a glória de Seu Pai, quando da Sua manifestação. Quando vier no Seu reino, «cingir-Se-á, mandará que se ponham à mesa e servi-los-á» (Lc 12, 7). Eis Aquele pelo Qual reinam os soberanos e governam os príncipes!
É assim que Ele há de exercer a Sua realeza, verdadeira e sem mancha, é assim que Ele domina aqueles que submeteu ao Seu poder: mais amável que um amigo, mais eqüitativo que um príncipe, mais terno que um pai, mais íntimo que os membros, mais indispensável que o coração. Ele não Se impõe pelo medo, nem submete através do salário. Somente em Si mesmo encontra a força do Seu poder, apenas prende os que Se lhe submetem. Porque reinar pelo medo ou com vista a um salário não é governar por si mesmo, mas pela esperança do lucro ou pela ameaça.
É preciso que Cristo reine em sentido próprio; qualquer outra autoridade é indigna Dele. Ele soube chegar a este ponto por uma via extraordinária para Se tornar o verdadeiro Senhor, abraça a condição de escravo e torna-Se servo de escravos, até à cruz e à morte; e assim arrebata a alma dos escravos e apodera-Se diretamente da vontade deles. Sabendo que é esse o segredo deste modo de reinar, Paulo escreve: «Humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso é que Deus O exaltou» (Fl 2,8-9). Pela primeira criação, Cristo é senhor da natureza; pela nova criação, tornou-Se senhor da nossa vontade. É por isso que Ele diz: «Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra» (Mt 28,18).

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h56
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